Medalha de ouro celebra a volta por cima de Juninho Crivelari

Na semana passada, Juninho Crivelari, aos 32 anos, alcançou a meta que buscava nos últimos três anos no esporte: ser campeão europeu de jiu-jitsu – título conquistado em Portugal. Quem só o viu no lugar mais alto do pódio, não imagina a batalha para chegar até ali. Fora do tatame, ele conseguiu superar seus traumas.

Tudo começou em outubro do ano passado, quando passou por uma fase bastante difícil depois da separação da mulher. “Fiquei perdido e a partir de então procurei ajuda. Faço terapia e estou na igreja Príncipe da Paz. Tive um encontro muito bonito com Deus. Se a cabeça não está boa, ‘nossa máquina’ não funciona. Você aprende no amor e na dor, eu acabei aprendendo na dor”, afirmou ele, que continuou. “A medalha foi muito importante para mim, mas se não estivesse bem comigo mesmo, de nada adiantaria. Estou em paz, em uma nova jornada. Meu físico está bom, mas minha mente está melhor ainda”.

Juninho no lugar mais alto do pódio: sonho realizado. Foto: Acervo Pessoal
Juninho no lugar mais alto do pódio: sonho realizado. Foto: Acervo Pessoal

Mesmo com várias conquistas na carreira, sucesso internacional, com uma academia própria e muito admiradores, Juninho disse que nunca se sentia completo. “Sempre acabava procurando uma válvula de escape em outras coisas. Antes das competições, eu sempre vomitava de nervoso. Agora, não preciso de mais de nada. Minha cabeça está ótima. Nunca fui de treinar muito e agora treino três vezes por dia. Descarregar a energia nos treinos tem sido importante. Quero transformar suor em conquistas para minha vida. Busco meu aperfeiçoamento”, afirmou.

Além da paz espiritual, a família tem ajudado muito. “Meus filhos (João Bento e Felipe Bento) são tudo para mim. Tenho conseguido me dedicar a eles, que têm sido fundamentais nessa nova fase”, explicou.

Absorver a suas fraquezas e conseguir superá-las foram os dois grande aprendizados de Juninho. “Não estou bitolado na igreja, mas minha força dobrou de tamanho. A cada dia eu vou subindo um degrau”, afirmou.

A desejada medalha de ouro. Foto: Acervo Pessoal
A desejada medalha de ouro. Foto: Fernando Cidral

A conquista

Juninho conquistou o título após quatro lutas – três ele venceu por pontos e na final conquistou o título vencendo um brasileiro por finalização. O campeonato ocorreu na cidade de Odivelas. Teve um sabor especial, porque em 2015 bateu na trave. “Fiquei em terceiro, depois de ter perdido na semifinal faltando 15 segundos para acabar a luta”, afirmou.

Antes da competição, Juninho ficou duas semanas na Dinamarca dando clínicas da modalidade e agora se prepara para ir para os Estados Unidos, no final de fevereiro, para desenvolver novos projetos. A nova vida de Juninho Crivelari não para e ele está preparado para os novos desafios.