Foto: Gustavo Amorim

Não dá para falar sobre a história do Divino no basquete feminino sem falar em Nestor Mostério. Sob seu comando, ocorreram conquistas históricas como o bicampeonato brasileiro de 1989 e 1990, o bicampeonato paulista nos mesmos anos, o Sul-Americano de 1990, no Equador e a terceira colocação no Mundial de Taiwan.

Assim, o anúncio da saída do Divino do projeto de basquete feminino da cidade abalou Nestor.

“É como se tivesse perdido uma parte do meu corpo profissional. Vivi mais tempo no basquete do Divino do que com minha família. É uma grande perda”, afirmou.

Segundo Nestor, a perda não é só para Jundiaí. “A perda da saída do Divino é nacional. O basquete feminino de Jundiaí é uma referência nacional e a própria CBB já manifestou preocupação. Atletas reveladas aqui participaram de Olimpíadas e uma delas, a Paula, ganhou o mundo. Revelamos até técnico olímpico, que foi o Tarallo (técnico do Brasil na Olimpíada de Londres).”

Nestor tem razão. Para se ter uma idéia, do grupo que defendeu a seleção brasileira na Olimpíada do Rio de Janeiro, no ano passado, sete jogadoras passaram pelo time jundiaiense: Damiris, Joice, Isabela, Nádia, Jaqueline, Tainá e Tatiane.

Foto: Dorival Pinheiro Filho

“Se para o Brasil a perda é grande, para Jundiaí nem se fala. O basquete é um patrimônio da cidade. Nos últimos 49 anos, tempo que durou o projeto, Divino e Paulista dividiram as manchetes esportivas da cidade. O Divino é um grande divulgador de Jundiaí. Fora a parte social. Muitas alunas se formaram pelo esporte. Hoje temos médicas, fisioterapeutas, todas que começaram no nosso projeto”, afirmou.

Nestor Mostério tinha se afastado nos últimos tempos do projeto, mas sempre trabalhou pela manutenção do trabalho principalmente na base. “Nosso Sub-19 é exemplo de trabalho bem feito e que dá frutos e resultados.”

Nestor também fez questão de lembrar dos padres Divo e Olivo, alicerces do projeto. ”O projeto nasceu graças aos irmãos Binotto que amavam o basquete e sempre estavam nos jogos acompanhando as meninas. Para tocar um projeto como este tem que gostar de esporte e do basquete. Eles amavam.  Com o falecimento deles, o projeto perdeu sua força. Espero que a secretaria de Esportes, algum político ou empresário abracem a causa”, concluiu.

Neste ano, Nestor Mostério foi homenageado pelo seus 40 anos de serviços prestados ao esporte, principalmente ao basquete.