Paula, pelo Cica/Divino, contra Hortência, do Minercal/Sorocaba: um clássico.

Ao longo dos quase 50 anos de história, grandes jogadoras passaram pelo projeto de basquete feminino do Colégio Divino Salvador. A principal delas foi Magic Paula, uma das maiores estrelas do basquete brasileiro, ao lado de Hortência.

Em entrevista ao Torcida Jundiaí, Paula lamentou o fim do projeto. “Vejo com muita tristeza, porque o time sempre foi um celeiro”, disse.

A saída do Divino reflete diretamente na formação de novos talentos para o basquete brasileiro. Para se ter uma ideia, do grupo que defendeu a seleção brasileira na Olimpíada do Rio, no ano passado, sete das 18 jogadoras passaram pelo time jundiaiense: Damiris, Joice, Isabela, Nádia, Jaqueline, Tainá e Tatiane.

Resignada, Paula mostra-se compreensiva com a decisão do colégio. “O esporte no Brasil é tocado ou por pessoas que amam, os abnegados, ou por quem quer o retorno. O basquete do Divino nunca deu retorno, e hoje a gente passa por um momento econômico difícil no país. Diante disso, talvez não seja mais prioridade para o colégio manter o custo da equipe”.

Paula chegou aos 14 anos em Jundiaí (foto: em pé, com a camisa número 4, primeira do lado direito).

Trajetória em Jundiaí

O Divino não foi o primeiro time de Paula. Ele começou a jogar no Assis, aos 12 anos, mas veio para Jundiaí ainda menina, apenas dois anos mais tarde. E foi vestindo a camisa do Divino que tornou-se a atleta mais jovem a ser convocada para a seleção brasileira adulta.

Paula fez parte do time que, em 1979, ganhou os Jogos Abertos do Interior, em Araçatuba, em uma final emocionante contra Catanduva.

“Essa é uma lembrança bem marcante. Pra variar, chegamos à uma final contra o time da Hortência e a gente precisava ganhar de 19 ou 20 pontos de diferença. Ganhamos de 21”, relembrou Paula, em recente entrevista à TVE Jundiaí.

Ainda sem contar com uma equipe de ponta, o Divino ficou pequeno demais para Paula, que se transferiu para a Unimep/Piracicaba, onde se tornou estrela nacional. Foram sete finais estaduais, com quatro títulos.

No final da década de 1980, o Divino procurou patrocinadores para sua equipe adulta. A Cica encampou a ideia, trouxe Paula de volta e fez Jundiaí vibrar com o vice-campeonato Paulista de 88. A segunda passagem de Paula por Jundiaí foi curta. Já no ano seguinte, ela deixou o Divino e foi jogar na Espanha.

“Construí em Jundiaí não só uma base esportiva, mas com indivíduo, como ser humano. Meus pais escolheram me trazer para Jundiaí justamente por essa associação da escola com o esporte, eu poder jogar onde eu iria estudar e todo o trabalho que existia nas categorias menores do colégio, a seriedade com que o basquete era tratado na instituição”, disse.