Pedro, 16 anos, e Edivando, 38: juntos por Jundiaí. Foto: Divulgação

Pedro Figueiredo Leme tem 16 anos e ainda comemora as primeiras vitórias. Edivando de Souza Cruz tem 38 e ostenta no currículo até a disputa de uma Olimpíada, a de Atenas, em 2004. Os dois fazem parte da equipe First, que representa Jundiaí em competições de mountain bike.

A união da juventude de um e da experiência do outro tem dado um resultado pra lá de animador.

Este ano, Pedrinho, como é chamado na equipe, ganhou as duas etapas do Big Biker, disputadas em Itanhandu e Taubaté, e o Desafio dos Ventos, em Extrema. Também ficou em segundo lugar na Prova 1º de Maio, em Indaiatuba, e na Média Paulista, em Santa Bárbara D’Oeste.

Único atleta da equipe na categoria elite, Edivando venceu a Copa São Paulo, em Caraguatatuba, foi vice-campeão do XTerra de MTB, em Ilha Bela, terceiro colocado no GP Ravelli e está entre os cinco primeiros colocados na classificação geral do Big Biker.

“Essa mescla de juventude e experiência é muito importante, pois os mais jovens têm um espelho, neste caso um atleta com experiência olímpica. Creio que esse é o patamar máximo que qualquer atleta almeja”, afirma Edmilson de Souza Lima, o Deda, técnico da equipe jundiaiense.

Natural de Ilha Bela, onde mora até hoje, Edivando de Souza Cruz passou a defender Jundiaí quando foi contratado pela First Bikes, no início do ano passado.

Foi um reforço e tanto para o time.

Edivando é um dos principais atletas do mountain bike brasileiro. Foto: bikeamparo.com.br

Ele é tetracampeão Brasileiro de XCO Elite/Sub-23, foi campeão Panamericano Junior três vezes, medalhista em Jogos Sulamericanos em duas oportunidades, ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos disputados em Santo Domingo (uma conquista inédita para o Brasil) e viveu o sonho de representar o país numa Olimpíada.

Chegar a este nível, no entanto, não foi fácil. Edivando se dedica ao esporte há 24 anos e começou meio que por acaso.

“Aqui em Ilha Bela, sempre pratiquei esporte. Um dia, vi que teria um campeonato de mountain bike em Caraguatatuba e me interessei. Participei por brincadeira, gostei e não parei mais”, conta.

Caminho parecido ao que começa a ser trilhado pelo jovem Pedro Figueiredo Leme.

Caçula da equipe, Pedro vê em Edivando uma referência. Foto: Divulgação

Tudo começou quatro ou cinco anos atrás, quando foi convidado pelo avô, Orlando Teixeira, para acompanhá-lo numa romaria até Pirapora do Bom Jesus. Tempos depois, Pedrinho se mudou para um condomínio em que havia um grupo que se reunia para pedalar.

O avô voltou a ter participação decisiva quando conversou com o amigo Israel Bernardi sobre a possibilidade de o menino integrar a equipe jundiaiense da modalidade.

“Ali as coisas ficaram mais sérias. Mudei o horário da escola da manhã para a noite e passei a treinar todos os dias”, explica. Até o futebol foi deixado de lado. “Prefiro nem jogar, para não correr o risco de sofrer alguma lesão”.

Apesar de se encontrarem apenas em dias de provas, Pedro não esconde a admiração por Edivando, ídolo e companheiro de equipe.

“Ele é uma referência. Meu sonho é chegar no nível dele”, afirma ele, que sonha em se tornar um atleta profissional e confessa prestar atenção a todos os movimentos do ídolo. “Ele é top”.

Os elogios são retribuídos por Edivando. “É muito bom ter esse reconhecimento por um atleta que está começando e mostra um potencial enorme para se desenvolver. Ele é muito dedicado”, diz.