A Prefeitura de Jundiaí deixou muito claro: esporte para a administração pública é gasto, não investimento.

A ausência dos atletas da cidade nos Jogos Regionais – e consequentemente de qualquer modalidade dos Jogos Abertos – é o mais vergonhoso capítulo da rica história jundiaiense no esporte.

Disputar os Jogos Regionais não significa apenas buscar resultados expressivos. Medalhas são importantes, evidentemente, para apresentar o trabalho de base de um município, divulgar empresas que apoiam o projeto e que dividam os custos para enviar delegações.

Quando Jundiaí anuncia que estará fora de uma competição por falta de recursos, a intenção da prefeitura, claramente, é alarmar a população para a crise administrativa. Com a promessa de injetar toda e qualquer verba ao Hospital São Vicente, o prefeito Luiz Fernando Machado não mede esforços para dar publicidade a toda e qualquer ação que escancare as próprias dificuldades para administrar o orçamento municipal. Sempre sob a alegação de uma herança do governo anterior. Sem medo de parecer repetitivo, muito menos de ser alvo de críticas por tirar da população investimentos em cultura e lazer (a começar pelo carnaval).

Mas será que o cenário é tão caótico assim? Na coletiva de apresentação dos fatos, a Prefeitura informou que os custos para enviar todo o staff (entre atletas, treinadores, motoristas, guardas municipais e outros profissionais) seriam de 1 milhão de reais. Lembrando que não estamos falando de uma disputa para um torneio Sul Americano em Buenos aires, nem um Mundial no Japão. Os Jogos Regionais acontecem de 20 a 30 de julho em Sorocaba, sendo que algumas modalidades disputam suas atividades por dois ou três dias e, em seguida, voltam para Jundiaí, distantes 90 km.

Seria mais transparente se esse balanço financeiro fosse bem detalhado ao contribuinte. Em que exatamente se gasta um milhão de reais? O alojamento não é oferecido pela cidade sede em escolas municipais?

De todas as frustrações, nada se compara ao que sente o atleta nesse momento. A medida tomada pela Prefeitura de Jundiaí é uma falta de respeito a todos os minutos dedicados ao treinamento visando defender a bandeira da nossa cidade.

Todos os treinos realizados após o expediente convencional (já que poucos conseguem viver do esporte exclusivamente), toda a hora de lazer perdida com a família em busca do melhor desempenho, todo o sonho de subir ao pódio e trazer uma medalha para Jundiaí. Tudo isso substituído por uma canetada polêmica.

A tendência mais do que natural é vermos os atletas de alto nível que representariam Jundiaí procurarem outras cidades para disputar competições. E uma vez tratado como gasto, o esporte jundiaiense teria “jogado dinheiro fora” ao trabalhar na preparação de atletas que não darão retorno esportivo à cidade.

Numa administração pública, governar é escolher onde gastar / investir. Prioridade é parte de quem assume um posto executivo. Mas ignorar a importância do esporte para uma sociedade, sub julgando-o a um gasto orçamentário, é menosprezar a raiz de uma cidade reveladora de atletas. É desprezar o valor social que a prática de atividades físicas tem. É chamar de idiotas os atletas que se prepararam e os patrocinadores que investiram neles.

Cuidar do esporte de uma cidade é muito mais complexo do que mudar o nome da pasta de Secretaria para Unidade de (indi) Gestão.


Heitor Freddo é jornalista do Time Forte do Esporte da Rádio Difusora Jundiaí e apresenta diariamente o Programa Batendo Bola às 11h15