Sabe aquele caso amoroso que você adorava, mas tinha uma leve vergonha de tratar como namorada oficial? Aquela menina não tão bonita assim, que você conquistou com muito trabalho e ficou muito feliz pelo momento especial, mas sempre que ela te ligava para um novo encontro você ficava com preguiça e se colocava como um homem difícil?

Chega um dia em que ela se cansa de você e, sem mais nem menos, a relação íntima termina. De longe você assiste colegas seus, bonitos, charmosos, se aproximando dessa menina. Tudo bem que ela se tornou a última opção de conquista e o objetivo deles é chegar na amiga dela, que é mais impactante.

Mas foram tantos anos tentando disfarçar o quanto você gostava dela que agora dói ver seus rivais tentando conquistá-la.

Essa é a saga do Paulista Futebol Clube na Copa Paulista 2017. O maior campeão do torneio está fora da disputa, que começou no último final de semana. O Galo não optou ficar fora: foi descartado por ter sido rebaixado para o fundo do poço do futebol estadual.

Mas não é de hoje que o clube ensaia descartar a Copinha. Há quantos anos não ouvimos que o Paulista vai abrir mão de sua vaga? “Torneio deficitário, sem visibilidade”. Não foram poucos os dirigentes que se apegaram a essa visão. Apesar da corrente, o bom senso sempre falou mais alto.

Um clube com o peso do Paulista não pode ficar fora da Copa Paulista. Isso só seria aceitável se estivesse disputando o Campeonato Brasileiro.

Eis que a tão menosprezada Copa Paulista se torna a grande salvação para clubes tradicionais. A Portuguesa, eliminada na Série D, vai com força máxima buscar uma vaga de retorno no Brasileiro. O São Caetano, que já não tem série nacional, vive a mesma expectativa. Mais uma vez Santos e São Paulo colocam suas camisas pesadas no torneio. São os amigos bonitos tentando conquistar a “feinha” que você gostava e desprezou.

Os três títulos do Paulista estão marcados na história do clube. Como esquecer a conquista em cima do Ituano em 1999, introdução ao histórico início de século? Que torcedor não se emocionou com o gol no final do jogo contra o Red Bull, num dia de Jayme Cintra lotado? Como menosprezar a noite em que Jundiaí invadiu Ribeirão Preto, batendo o Comercial fora de casa?

De lá pra cá, a Copa Paulista foi muito mal aproveitada. A intenção era usar o torneio para encontrar uma base para o Paulistão do ano seguinte. Ao invés disso, o Galo jogava e dispensava os atletas que mereciam ficar. No ano passado isso foi gritante.

Hoje sentimos falta da Copa Paulista, mais um dos legados de um rebaixamento vergonhoso. Por mais que não seja a competição dos sonhos, é uma vitrine e o Paulista está simplesmente apagado do futebol.

Só nos resta torcer para que a nossa ex namorada encontre alguém que a valorize e ainda se lembre de quem, apesar das crises, viveu ao lado dela momentos tão especiais.


Heitor Freddo é jornalista do Time Forte do Esporte da Rádio Difusora Jundiaí e apresenta diariamente o Programa Batendo Bola às 11h15