O Campeonato Paulista da Quarta Divisão (ou Segundona, se isso te fizer se sentir menos humilhado) chegou neste final de semana ao final do primeiro turno da segunda fase.
Divididos em quatro grupos, os últimos 16 concorrentes ainda têm muita bola pra rolar antes de comemorar a saída do inferno e o ingresso na Série A-3, que no máximo é um purgatório bem sofrido também.
A essa altura, cada equipe já disputou entre 15 e 17 jogos e nenhuma está nem perto de subir – apenas duas têm esse direito. É muito jogo para pouquíssimas vagas. O time que se classificar à semifinal e for eliminado, terá disputado até 27 jogos para não chegar a lugar nenhum.
Para o Paulista, é fundamental observar um campeonato que é completamente diferente de tudo o que o clube disputou nos últimos anos.
A começar pelo calendário. Contratos curtos feitos para a disputa do Campeonato Paulista serão obrigatoriamente diferentes. Atletas terão que ser contratados em janeiro para só disputarem uma partida oficial em abril e com vínculo até o final do ano.
A segunda fase desta edição de 2017 está em andamento e já podemos analisar alguns outros aspectos importantes.
A primeira fase pode ser uma enorme ilusão. Times que voaram no grupo inicial estão tendo enormes dificuldades na sequência do campeonato. O motivo é simples – o nível técnico do início da competição é discrepante.
O VOCEM de Assis fez uma campanha arrasadora na primeira fase. Somou 29 pontos e só perdeu a invencibilidade na reta final porque deu uma relaxada. Entrou no grupo 7 como grande favorito e hoje está fora da zona de classificação para o mata mata, com 4 pontos somados em 3 jogos.
O mesmo vale para Brasílis e XV de Jaú, que dispararam na primeira fase quando estavam juntos no Grupo 2 (deixando bem para trás clubes como Amparo e Jaguariúna) e agora estão quase eliminados.
O time de Águas de Lindóia perdeu os 3 jogos na segunda fase e está a 5 pontos da zona de classificação. Vai precisar vencer os três jogos se quiser continuar com chances.
Já o XV de Jaú acumula na segunda fase um empate em casa com o Mauaense e duas derrotas como visitante: União Mogi e América de Rio Preto.
Uma campanha que traz outra lição básica: camisa com história não garante nada. Algo que o Paulista já deveria ter aprendido quando entrou na Série A-3 imaginando que a estrela dourada no peito faria os caminhos serem mais fáceis. Pelo contrário: quem joga num time menor se motiva ainda mais ao enfrentar o Paulista.
A cada dia que passa aumenta a minha convicção: sair da quarta divisão em 2018, com esse regulamento, será o maior desafio da história do Paulista Futebol Clube. Exigirá paciência, planejamento, comprometimento, elenco numeroso e o principal: a humildade que há algum tempo parece passar longe de Jayme Cintra.

Heitor Freddo é jornalista do Time Forte do Esporte da Rádio Difusora Jundiaí e apresenta diariamente o Programa Batendo Bola às 11h15