Cada vez que um time grande demite um técnico, o noticiário fica voltado inevitavelmente às especulações de qual será o substituto para o restante da temporada – ou pelo menos até a próxima sequência de derrotas.
Isso não é novidade. Escolher um nome para dirigir um dos 12 gigantes do futebol brasileiro sempre foi uma tarefa com muita fiscalização.
A diferença é a situação do mercado. O Brasil saiu do cenário de “sempre os mesmos” da última década para o “não tem ninguém” atual.
Há alguns anos, num dia como hoje, o Flamengo estaria certamente falando em nomes como Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Joel Santana e mais alguns treinadores que se revesavam nas mesmas cadeiras a cada temporada. Vez ou outra surgia uma novidade, sempre acompanhada de desconfiança, como Caio Júnior, Estevam Soares, Vagner Mancini, Gilson Kleina, entre outros.
A geração vencedora dos anos passados não se aposentou completamente da elite do nosso futebol. Levir Culpi está no Santos e Abel Braga comanda o Fluminense. Mas são os únicos. Já alguns nomes tratados como elitizados se perderam pelo caminho e hoje estão completamente descartados, como Celso Roth e Adilson Batista. Profissionais que não acompanharam a mudança do futebol e não tinham o status dos veteranos até hoje respeitados.
Ao mesmo tempo que a renovação é necessária para qualquer área de conhecimento – e o futebol exige sim estudo e aperfeiçoamento -, a nova geração de treinadores ainda não conseguiu se firmar completamente. Fábio Carille é o fenômeno de uma leva de técnicos que ainda são vistos com desconfiança da capacidade que têm para comandar grandes clubes – casos de Eduardo Baptista, Rogério Ceni e do próprio Zé Ricardo, que terá muita dificuldade para se recolocar no mercado.
Hoje o futebol brasileiro vive a contradição de buscar a inovação, mas sem confiar nos novos talentos. Os dirigentes levantam a bandeira da modernidade, mas buscam abrigo nas costas largas de um profissional com títulos conquistados – o que está difícil diante de um cenário de renovação.
Olhando para o noticiário do Flamengo, com o desespero da torcida para contratar Reinaldo Rueda, temos a impressão de que não há ninguém competente no Brasil para assumir o clube de maior torcida do país. O mesmo Rueda que recusou proposta do Corinthians, forçando a diretoria a dar uma oportunidade – contra a vontade – para o novato Fábio Carille. Veja o talento que estaria até hoje escondido se não fosse a falta de opção.
O futebol brasileiro está cheio de profissionais tratados como “falta de opções no mercado” e que na verdade são talentos desacreditados. Basta sair da zona de conforto.

Heitor Freddo é jornalista do Time Forte do Esporte da Rádio Difusora Jundiaí e apresenta diariamente o Programa Batendo Bola às 11h15