Quem nunca passou por uma situação dessas? Ir ao banco ou a um estabelecimento comercial e não ter os seus anseios atendidos e, ainda que esteja pagando por um bom serviço, precisar exercer o seu direito de reclamar e cobrar por melhorias. Geralmente, é o gerente quem fica responsável por resolver ou amenizar os problemas do cliente.

Pois bem, hoje eu quero falar com o gerente de futebol do Paulista. Há tempos o clube não entrega ao seu cliente, no caso o torcedor, um bom produto, que seria um time competitivo dentro de campo, por isso precisamos analisar o que vem acontecendo.

Com apenas duas rodadas na Série A3 o Paulista precisou mudar o seu técnico. Carlinhos Alves não fez um bom trabalho na montagem do time, não conseguiu sequer mostrar uma organização tática dentro de campo. A diretoria percebeu e agiu rápido ouvindo os pedidos da torcida.

Umberto Louzer está no comando técnico do time profissional, mas vai herdar a herança de um elenco que com Carlinhos mostrou-se fraco e incapaz de lutar pelo acesso. Embalado pela ótima campanha na Copa São Paulo, Umberto tem a confiança da torcida que vê nele uma esperança de que esse time possa jogar um bom futebol e trazer resultados. É a chance de Umberto mostrar o seu valor após a traumática exclusão do Galinho na Copinha. Na estreia, já começou bem!

E são sobre esses dois pontos que quero falar, Carlinhos Alves e a exclusão do Galo na Copinha.

Neles, claramente, há um denominador comum, o gerente de futebol, função que hoje é exercida por Juninho.

O gerente de futebol num clube é o responsável por fazer o elo entre o gramado e a diretoria. É o responsável direto pela contratação do técnico e dos jogadores, ainda que estes últimos sejam indicados por quem vai dirigi-los dentro de campo.

Vamos pela ordem cronológica.

Na Copinha, Heltton era agenciado por Alberto, que hoje trabalha como empresário e indicou o tal jogador e outros para o Paulista. Alberto também não fez um bom trabalho e mostrou-se, no mínimo, ingênuo, em não verificar o passado de um jogador que ele procurou agenciar. A cadeia de erros neste caso é enorme e não é minha intenção pontuá-los aqui.

Vendo o lado do clube, quem deveria saber das qualidades de quem está chegando, empresário e jogadores, é o gerente. O que parece aqui é que foi tudo baseado na confiança da amizade, o que em qualquer esfera profissional nem sempre é um bom negócio.

No caso de Carlinhos Alves, a indicação foi direta de Juninho que trabalhou com ele no Nacional. Neste caso, diferente do anterior, Carlinhos já tinha uma certa experiência no cargo e mostrado competência em outros lugares, contratá-lo então, pareceu uma coisa natural.

Mas a partir do momento que os jogadores foram chegando e os treinamentos acontecendo, ninguém viu que o time dificilmente teria condições de brigar pelo acesso com o treinador? O gerente de futebol não conhece a qualidade dos jogadores ou não é capaz de fazer uma análise para buscar reforços realmente de qualidade?

Nos dois casos, faltou avaliar a competência de quem indica os jogadores e competência para analisar quem tem condição de trabalhar e vestir uma camisa de tanta tradição como a do Paulista.

Todo mundo já sabe que, administrativamente, o Paulista é uma caixa fechada, tocado por pessoas que até têm boas intenções, mas isso nos dias de hoje não basta. Não dá mais para praticar o futebol como ele era 20 ou 30 anos atrás. O Paulista precisa se profissionalizar.

Costumo dizer que amizades não pagam contas, mas nestes casos, quem pode pagar uma conta muito cara é o Paulista e o seu torcedor cansado de sofrer.

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11659404_900855979996273_4610198849806815416_nIVAN GOTTARDO é engenheiro. Fanático pelo Paulista, desenvolve, no peito e na raça, um trabalho de resgate da história do clube.