Há quase 200 anos atrás, de meados do século XIX até a segunda metade do século passado, existiram em diversos lugares dos Estados Unidos e da Europa espetáculos que ficaram conhecidos como show de aberrações.

Nestes eventos eram apresentados desde pessoas com alguma doença rara ou até animais com anomalias. As pessoas pagavam para ver, por exemplo, “A Mulher Macaco”, “O Garoto Lagosta”, “A Menina Pé Grande”, “As Irmãs Siâmesas”, “O Homem Coruja” e por aí vai. É bizarro, mas é verdade.

Pois não é que em pleno século XXI, o Paulista vem se transformando num verdadeiro circo de horrores?

Vamos apontar alguns fatos que ocorreram nos últimos anos em Jayme Cintra.

De 2014 pra cá, quando começou a derrocada em nível estadual do Paulista, o torcedor foi obrigado a engolir diversas “atrações” que o deixaram insatisfeitos e ter que ver desfilando pelo gramado jogadores do quilate de Jeff Silva, trazidos pelo grande “mago” José Macena, virando piada de mau gosto e sendo rebaixado sem sequer vencer uma partida.

Pagou e não levou quando dirigentes já de malas prontas para partir levaram um jogo contra o Palmeiras para São José do Rio Preto. Quem ficou com o milhão?

Teve que ouvir mais uma vez a velha e batida história de que a cidade não ajuda e a culpa da crise do clube é essa, quando nem mesmo o clube quer se ajudar, se fechando numa caixa misteriosa que ninguém tem a chave.

Assistiu incrédulo e de modo espantoso um português charlatão bater na porta e virar técnico do dia para a noite, onde os únicos a serem enganados foram os nossos abnegados diretores que provavelmente desconhecem as tecnologias que temos hoje em dia para fazer uma busca rápida pela internet e perceber que se tratava de um golpe.

Foi obrigado a amargar mais um rebaixamento e ver ser desfeito por ingerência e arrogância de pessoas sem competência o único trabalho sério que havia dentro do clube, como se um departamento de marketing fosse obrigado a contratar jogadores (!).

E agora ser montado um time que consegue ser pior do que tínhamos na última Copa Paulista, obrigando-nos mais uma vez a ver espetáculos de qualidade duvidosa e sofrer como se pagássemos alguma dívida espiritual com o passado.

Sabem qual a diferença dos shows apresentados no século passado e os de hoje? As bizarrices são parecidas, mas lá atrás as pessoas queriam ver aquilo, hoje não, pagamos para ver alegria e saímos tristes, por vezes, revoltados.

Torcer para um clube pequeno é saber de suas dificuldades e conviver com elas. Não queremos um Cirque du Soleil, nos contentamos com aquele humilde mas simpático circo de lona, onde sentamos nas bancadas de madeira mas ao final do espetáculo saímos com o sorriso no rosto, felizes pelo que vimos.

O que não dá para aceitar mais é que o palhaço desse circo de horror seja o torcedor do Paulista.

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11659404_900855979996273_4610198849806815416_nIVAN GOTTARDO é engenheiro. Fanático pelo Paulista, desenvolve, no peito e na raça, um trabalho de resgate da história do clube.