Um time limitado, clube em crise financeira e com chances reais de cair para a quarta divisão estadual. Este é o cenário atual do Paulista, mas também era o mesmo em 1994.

23 anos se passaram e a situação é bem parecida. Naquela época a Federação Paulista de Futebol também aplicava reformulações em suas divisões e o Paulista desceu alguns degraus.

Nas últimas duas décadas o clube viveu a fase mais vitoriosa de sua história, então por que estamos na mesma situação de 23 anos atrás?

A maioria dessas conquistas só foram possíveis graças às parcerias, polêmicas, mas que trouxeram resultados e eleveram o nível do Paulista no cenário futebolístico e agora que precisa andar com suas próprias pernas, o clube passa por dificuldades novamente. Não é coincidência.

Antes das parcerias, o Paulista sempre esteve à mercê de abnegados, cujo trabalho é louvável o de desprender tempo e, por vezes, o próprio dinheiro em prol do clube, mas, assim como hoje, eram raros os momentos de triunfo do clube, quase sempre o Galo esteve sofrendo esportiva e financeiramente, mas fazia o suficiente para se manter num nível ao menos respeitável.

O grande problema é que hoje não há mais espaço para esse tipo de gestão, o futebol mudou, o mundo mudou e o Paulista parou no tempo.

Não é à toa que equipes como Red Bull, Audax e São Bernardo FC estão hoje na elite do futebol estadual, elas foram criadas para chegar onde estão, mais do que isso, foram criadas para gerar lucro.

O futebol hoje é um mercado de negócio que movimenta muito dinheiro e ninguém que faz um trabalho sério vai investir o seu dinheiro em algo que não vise lucro.

Por que acham que milionários russos e xeiques árabes investem nos grandes clubes europeus? Com certeza não é por amor.

O futebol hoje exige conhecimento, organização e gestão tal qual uma empresa, onde cada essoa tem o seu papel para que o resultado no final seja o mesmo. Para uma empresa, lucro, para um clube, conquistas.

Se puxarmos pela memória tivemos pessoas com esse perfil passando pelo clube em alguns períodos, mas não houve a sequência, o Paulista preferiu abrir mão disso e voltar a ser gerido como há mais de 20 anos.

Se o Paulista quiser continuar sobrevivendo e lutando pela sua tradição precisa se reciclar, se renovar urgentemente ou estará fadado a agonizar como tantos outros clubes de tradição pelo interior.

Os resultados estão aí para mostrar o que é certo e o que está errado.

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11659404_900855979996273_4610198849806815416_nIVAN GOTTARDO é engenheiro. Fanático pelo Paulista, desenvolve, no peito e na raça, um trabalho de resgate da história do clube.