Reunião do Conselho Deliberativo do Paulista

Aconteceu ontem no estádio Dr. Jayme Cintra uma reunião do Conselho Deliberativo do Paulista que tinha como mote principal a aprovação das contas do ano de 2016. Apesar disso o assunto que mais interessava aos presentes era a apresentação do novo estatuto.

Aberta ao público, a reunião teve presentes não só os dirigentes do clube, como também torcedores interessados em mudanças que dêem esperança de dias melhores no futuro.

As contas foram aprovadas unanimamente, mesmo apresentando um déficit de R$ 1,6 milhões, mas o que me chamou a atenção foram alguns números de receita apresentados.

No ano passado, o Paulista recebeu cerca de R$ 1,1 milhões provenientes do projeto Novo Paulista, que apesar dos resultados foi subitamente encerrado. Pouco mais de R$ 300 mil vieram de doações a apenas R$ 35 mil foram arrecadados com patrocínio. Analisando-se os números, não precisa ser expert em marketing ou gestão esportiva para analisar que a forma como o clube é gerido está totalmente equivocada e o motivo da crise financeira e esportiva que estamos passando está na administração.

Mas e o estatuto?

A minuta foi apresentada pelo conselheiro Rodrigo Alves, jovem que vem das arquibancadas e que acaba representando as mudanças que a torcida tanto pede.

O presidente do Conselho, Cláudio Levada, elogiou a minuta e mostrou-se interessado e disposto para que ela seja aprovada no dia 22 de agosto, quando, enfim, o novo estatuto será colocado para aprovação em Assembléia Geral. Citou, entre outras coisas, que o novo estatuto, é uma modernização necessária para o clube.

E é nessa questão que vem minha esperança.

É fato que o Paulista parou no tempo, tanto politicamente quanto administrativamente e isso nos levou ao cenário atual, um clube sem divisão no campeonato nacional e no último escalão do futebol estadual. Uma vergonha sem tamanho para quem tem tanta tradição e já viveu dias de glórias, inclusive internacionalmente.

A necessidade de mudança é urgente e o novo estatuto pode trazer novos ares para um clube cansado e, principalmente, fechado.

A principal reclamação dos diretores é quanto à falta de receitas, mas não entendem ou assumem que foram eles mesmos que criaram essa situação. Sem transparência, qual investidor vai entrar num negócio que ele não sabe para onde seu dinheiro está indo?

O novo estatuto prevê a abertura do clube para novos sócios, que ao longo do tempo poderão contribuir e entrar de vez na política do clube com novas idéias, e este é o principal ponto para que o Paulista volte a crescer. Vejo muita gente competente em Jundiaí, gente nova com conhecimento, mas que não consegue contribuir com o clube por conta desse enclausuramento.

Será o novo estatuto o salvamento do clube? Somente ele, é claro que não. Precisará haver competência e profissionalismo para que voltemos a ser competitivos e respeitados, mas essa é, sem dúvida, a primeira mudança necessária para que possamos continuar vivos.

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11659404_900855979996273_4610198849806815416_nIVAN GOTTARDO é engenheiro. Fanático pelo Paulista, desenvolve, no peito e na raça, um trabalho de resgate da história do clube.