Em meio à maior crise econômica, que gerou mais de 14 milhões de desempregados e afetou todos os setores, o futebol também foi pego pelo pé. Tem time da Série A-2 do Paulista (União Barbarense) viajando no dia do jogo e dormindo dentro do ônibus porque não tem condição de pagar hotel. Se o profissional está assim, imagina no amador! Mas sempre haverá futebol amador!

Quando a gente conversa com jogadores ainda vivos da época do varzeano em campo aberto, a confirmação é que já nos anos 1950 os melhores ganhavam para assinar e jogar para um determinado time, sempre foi assim, mas recentemente houve uma inflação que asfixiou muito time, mas animou muita gente até a largar o emprego e viver do futebol, mesmo “amador”.

Nesta temporada, mantida a fórmula de disputa consagrada, inclusive sem a presença dos profissionais, já muda o começo para maio e a organização pretendia um torneio mais enxuto, mas vai ficar como era. Mesmo ainda em formação dos elencos, já se percebe uma maior concentração em três ou quatro os favoritos, muito distantes tecnicamente dos outros, em razão justamente do maior poder de negociar os poucos patrocínios existentes (culpa da crise).

Os demais participantes apenas convidam os jogadores que restam na praça.

Esse desnível faz com que os de orçamento mais caro economizem na primeira fase, trazendo os jogadores que custam mais em poucos jogos, concentrando mesmo na fase seguinte, quando ficarem apenas os oito melhores.

Assim mesmo, jogando mata-mata em vantagem contra times consideravelmente piores, faz com que somente nas semifinais se vejam obrigados a pagar para que suas estrelas decidam quem vai à final.

Ganhando título, aí é prêmio e mais prêmio (em dinheiro): haja grana! Mesmo em meio à crise.

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matiasJOSÉ REGINALDO MATIAS DE SOUZA é economista e presidente do Clube Atlético Aliança. Durante cinco anos, manteve a coluna ‘Papo de Várzea’ no extinto jornal Bom Dia.