Tenho abordado aqui nas minhas colunas a minha visão de gestão do futebol e suas estratégias. Numa delas falei sobre a turbulência que viria – e veio – no Paulista Futebol Clube nesse Campeonato Paulista da Série A3.

Após um início muito ruim – duas derrotas em dois jogos – o que culminou na saída do técnico Carlinhos Alves, o clube já trocou mais duas vezes o seu comando técnico: Umberto Louzer assumiu e já deixou o clube e, agora, Sérgio Caetano é quem comanda.

E, numa primeira reação com o novo treinador, mostrou que pode se salvar da turbulência que vive, pelo menos dentro das quatro linhas.

Conseguindo extrair sete dos nove últimos pontos disputados, o Galo da Japi já começa enxergar a luz no fim do túnel para sair da zona de rebaixamento. Muito se deve ao novo comandante. Pouco o conheço ou posso falar de seus métodos, mas já fica claro que conseguiu “ajeitar” a casa, mesmo com as limitações estruturais e humanas já conhecidas. E isso lhe dá um primeiro bom adjetivo, o de eficiente.

Tirar uma equipe de uma situação tão desfavorável na competição, não é missão simples. Requer conhecimento, trabalho e, principalmente, habilidade para gerir pessoas. Normalmente se tem um grupo de atletas já inseridos num ambiente de descrença, pessimismo e pressão, quando não, já agregados a uma certa limitação técnica. Sérgio Caetano provavelmente soube mexer com o emocional de seus comandados, com doses certas de paciência, calma, equilíbrio e cobrança pelo resultado.

Ainda é muito cedo para se falar em tranquilidade pelos lados do Jayme Cintra, porém a esperança se renovou. É hora de – mais que nunca – se atentar a todos os pequenos detalhes, para que nada fuja do foco das vitórias.

Como nas derrotas, a fase de vitórias também tem suas armadilhas. O excesso de confiança é uma delas. Por isso, acredito que o treinador deve estar muito atento a cada ponto de seu grupo. O Paulista precisa ainda de, pelo menos, mais cinco vitórias para se manter na divisão.

Pensar em classificação? Ainda não.

Ponha seus pés em terra segura (uma zona da tabela fora de riscos) e depois lute por um segundo objetivo. Essa é a simples estratégia do sucesso, porque aí reside outra armadilha: a perda do foco no objetivo. Troca-se facilmente o inferno pela visão do céu, aqui chamado de classificação para a zona do acesso.

A tempestade ainda não passou, apenas o piloto mostrou-se habilidoso para domá-la.

E que haja a consciência que o avião também não é nenhum jato ultra moderno, mas algo mais simples e que pode voar eficientemente, basta saber quais são as suas limitações.

Espero ver o Galo em céu de brigadeiro em breve.

Mas que fique a lembrança – e a lição – que muita coisa ainda precisa ser feita – dentro e fora dos gramados – para que o clube volte a brilhar.

Ter um bom piloto já demostra ser uma boa parte desse processo.