André Avallone é referência no polo aquático brasileiro

Polo Aquático

André Avallone é referência no polo aquático brasileiro

O desenvolvimento do polo aquático no Brasil se deve, em grande parte, a André Avallone, um jundiaiense de 35 anos que começou no esporte na piscina do Clube Jundiaiense e hoje é o homem forte da modalidade no Sesi.

Casado com Denise e pai dos pequenos Luca e Lya, de 8 e 2 anos, respectivamente, ele não só é o treinador da equipe tetracampeã Paulista e campeã do Brasil Open. Seu papel é muito mais amplo, tendo a responsabilidade de fomentar a prática do polo aquático nas unidades do Sesi espalhadas pelo Estado.

E é esse o papel que mais o satisfaz. “Ganhamos muitos títulos, mas nada é mais importante do quer ver a crianças praticando e sorrindo com o polo aquático”.

André com Denise, Luca e Lya. Foto: Acervo Pessoal/Facebook

 

O começo no polo

André foi uma criança ativa, daquelas que experimentam um pouco de cada esporte. Jogou tênis, basquete, futebol e se arriscou no automobilismo, paixão da família.

Mas quando conheceu o polo aquático, no Clube Jundiaiense, não quis mais saber de outra coisa. “Comecei a jogar polo com 12 anos. Eu treinava com chuva, com raios e minha avó ficava gritando da sacada pra eu sair da água”, lembra. “O ambiente dos treinos, os amigos que fiz, a bagunça nas viagens, tudo isso fez com que eu me apaixonasse pelo esporte”.

Até ali, contudo, não passava de uma divertida brincadeira, de uma forma de estar com os amigos. Isso começou a mudar quando André viu a comoção causada pela vitória brasileira na Copa do Mundo de 1994 e, dois anos depois, a atenção provocada pela disputa da Olimpíada de Atlanta. “Eu queria viver aquilo no meu esporte. Já estava vivendo o polo de corpo e alma”, define.

Em 1996, então, André deu um passo decisivo nesse caminho. Foi até o Esperia, em Santana, Zona Norte de São Paulo, e se ofereceu para jogar pelo clube.

Foram dois anos de uma rotina puxada. André acordava cedo para ir à escola, voltava para casa na hora do almoço, fazia as lições e seguia para a rodoviária, onde pegava o ônibus para São Paulo. Os treinos começavam às 18h e se estendiam até as 22h. “Treinávamos muito, era bem cansativo”, comenta ele, admitindo ter pensado em desistir por mais de uma vez. “Foram várias as vezes. Mas não desisti. Eu tinha muito apoio dos meus pais”.

Aos 20 anos, cursando Educação Física na ESEF, André decidiu que era hora de parar. “Foi um momento em que eu já gostava mais de estar fora do que dentro da piscina”, afirma.

No Club Natacio Atletic Barceloneta, o principal expoente do polo aquático espanhol. Foto: Acervo Pessoal/Facebook

Treinador

A primeira oportunidade veio com a ajuda de Ernesto Staeheli, seu treinador nos tempos de Clube Jundiaiense. Era um pequeno grupo de meninas, interessadas em aprender a modalidade.

Depois, vieram convites para trabalhar no Corinthians e no Paulistano. Em 2005, André decidiu vender as pranchas de surfe e a moto, juntou o dinheiro arrecadado e foi para a Europa, com o objetivo de ficar seis meses e estudar mais sobre o polo aquático. Acabou ficando sete anos.

Fez cursos especializados e mestrado em treinamento de alto rendimento em esportes coletivos. Começou a trabalhar no melhor clube da Espanha, o Barceloneta, onde foi técnico de base. “E no meu último ano, assumi o comando de uma equipe feminina e ficamos com o vice-campeonato Espanhol da divisão de honra”, cita.

Veio, então, a proposta do Sesi e André se viu numa encruzilhada. De um lado, a permanência na Espanha, onde a família já estava estruturada, com o filho frequentando a escola, morando em uma cidade incrível como Barcelona; do outro, a chance de voltar para o Brasil e realizar o sonho de ajudar a desenvolver o esporte no país.

André escolheu voltar.

André comanda o supercampeão time do Sesi. Foto: Acervo Pessoal/Facebook

Desenvolver o esporte

No Sesi, assumiu um cargo abrangente. Além de treinar um dos times mais poderosos do polo aquático nacional, também teria a incumbência de gerenciar todo o trabalho desenvolvido nas 12 unidades espalhadas pelo Estado de São Paulo que trabalham a modalidade.

“Costumamos brincar que o polo aquático é um esporte secreto, porque ninguém conhece, ninguém estuda, não tem profissionais. Então, é difícil desenvolver. Começamos esse trabalho e estamos criando uma cultura. Trabalhamos na formação de novos profissionais, como técnicos, fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas, psicólogos e até árbitros. Tudo precisa ser construído”, afirma.

Motivo de orgulho para ele é o WP Teens, uma espécie de campeonato interno do Sesi para meninos e meninas com idade entre 8 e 15 anos. “Criamos esse evento no ano passado e hoje ele já tem mais equipes que em qualquer outro evento estadual ou nacional. E gastamos menos do que se jogássemos em campeonatos de federações”, pontua.

Comemorar títulos virou rotina para André, desde que chegou ao Sesi. Foto: Acervo Pessoal/Facebook

André Avallone também é o treinador da equipe adulta do Sesi, uma das principais do Brasil. O time é o atual tetracampeão Paulista (2013, 14, 15 e 16) e campeão do Brasil Open.

Essas conquistas também servem como chamariz para uma nova safra de jogadores. “É natural. As crianças querem estar onde os adultos estão. Hoje, já temos 80% do elenco formado na base do Sesi. Temos atletas das unidades da Vila Leopoldina, Ribeirão Preto, São Caetano do Sul e Jundiaí”, aponta. “Se quisermos incentivar as crianças de outras cidades a praticarem o polo aquático, temos que trazer jogadores dessas unidades para nosso time principal. Elas (as crianças) precisam ver que o sonho é possível”.

Apontado como um dos principais nomes do polo aquático nacional, é natural que seu nome seja cogitado para a seleção brasileira. Embora admita ser este um objetivo a ser alcançado, André não se deixa empolgar.

“Se essa oportunidade surgir, pensarei se é o momento. É uma grande responsabilidade assumir a seleção brasileira e não pode ser só técnico, a função tem que exigir mais tarefas”, comenta.


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