No dia 9 de maio de 2001, o Paulista perdeu por 1 a 0 para o Santo André, no estádio Bruno José Daniel. Mas o resultado do jogo ficou em segundo plano. As manchetes dos jornais do dia seguinte eram todas sobre o lateral-esquerdo Carlos Roberto, do time do ABC, que deixou o campo direto para a cadeia.

Em março daquele ano, a 4ª Vara Criminal de Campinas decretou a prisão preventiva do jogador, acusado de receptação e formação de quadrilha. O jogador seria dono de uma chácara onde estavam sendo armazenados produtos roubados.

Em uma ação na chácara, a Polícia prendeu cinco pessoas e apreendeu computadores, peças de veículos, produtos farmacêuticos, aparelhos eletrônicos, tecidos e matéria-prima para a fabricação de medicamentos.

Carlos Roberto, que treinou normalmente no período da manhã, sumiu depois que a notícia de sua prisão preventiva foi divulgada. Ele ficou de fora do jogo contra a Francana, no dia 24 de março.

Beneficiado por uma liminar, que suspendia a mandado de prisão, Carlos Roberto foi reintegrado ao time e voltou a jogar.

Titular incontestável do time dirigido por Luiz Carlos Ferreira, foi escalado para enfrentar o Paulista, em jogo válido pela 19ª rodada da Série A2 daquele ano.

Entretanto, a liminar foi derrubada e antes mesmo de o jogo começar, policiais foram ao vestiário do Santo André, para prender o jogador.

Tentativa de fuga?

Atendendo a um pedido do clube, a polícia permitiu que Carlos Roberto disputasse o jogo, sob a condição de se entregar em seguida.

Aos 13 minutos do primeiro tempo, Carlos Roberto dividiu com Izaías, atacante do Paulista, e caiu. Os médicos do Santo André o atenderam em campo, mas a “gravidade” da contusão obrigou que o jogador fosse levado para o hospital.

A ambulância chegou ao Hospital Municipal às 21h18. Carlos Roberto foi atendido, medicado e encaminhado para a Cadeia Pública de Vila Palmares.

A situação gerou enorme mal estar. A contusão de Carlos Roberto e a saída do estádio de ambulância foram vistas por muitos como uma tentativa de fuga.

O Santo André logo se defendeu. O vice-presidente administrativo do clube, Klinger Luiz de Oliveira Souza, disse ao jornal Diário do Grande ABC que , “a interpretação que alguns veículos de comunicação deram a essa situação, com a conotação de que a diretoria do Santo André armou a fuga do jogador foi leviandade e estupidez”.

Carlos Roberto foi transferido para o CDP – Centro de Detenção Provisória de Hortolândia e, posteriormente, para a Penitenciária de Itirapina, na região de Bauru.

No dia 7 de março de 2002, Carlos Roberto foi libertado, depois que seus advogados conseguiram um habeas-corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. A decisão do STJ foi unânime. Os ministros entenderam que não havia motivo manter a prisão preventiva do jogador.

Seu retorno ao Santo André chegou a ser cogitado, mas não foi concretizado. Era o fim da carreira de um bom lateral.

Chefe do tráfico

Carlos Roberto voltou a ser preso no dia 14 de abril de 2006. Ele foi detido em flagrante por policiais do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc), em Campinas, com seis quilos de maconha.

Ele foi acusado de chefiar o tráfico de drogas na região de Campinas. À época, o delegado Pedro Pórrio disse que Carlos Roberto seria o responsável por distribuir até 500 quilos de maconha em Campinas, Mogi Mirim e Itapira.

Segundo o delegado, o próprio Carlos Roberto viajava para o Paraguai para buscar o entorpecente.

“Foi um deslize da minha vida. Estou pagando pelo que fiz, me arrependo profundamente”, disse Carlos Roberto, em entrevista à Band, em 2012.

Trajetória no futebol

Carlos Roberto no União São João, em 1994.

Carlos Roberto começou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto. Foi contratado pelo União São João, que buscava um substituto para Roberto Carlos, negociado com o Palmeiras.

O bom futebol no time de Araras o levou para a Portuguesa e, no final de 1995, para o Corinthians. Teve poucas oportunidades e logo foi emprestado para a Lusa, onde chegou ao vice-campeonato Brasileiro de 1996. De volta ao Corinthians, comemorou o título Paulista de 1997.

Jogou ainda por Araçatuba, Marília e Coritiba.