Se falarmos em futebol bonito e times marcantes, certamente iremos citar o São Paulo de Telê Santana. Há 25 anos – no dia 17 de junho de 1992 – o Tricolor começava a trilhar sua história marcante em torneios continentais com a conquista da primeira Copa Libertadores, a de 1992, após vencer o Newell’s Old Boys nos pênaltis.

Reserva do goleiro Zetti e alternando no banco com o já falecido Alexandre, o jundiaiense Marcos Bonequini fez parte daquele time épico e relembra algumas histórias da conquista de 25 anos atrás.

Naquela época, a Copa Libertadores não tinha tanta importância para as equipes brasileiras  – a última conquista de uma equipe brasileira ocorreu em 1983 com o Grêmio – e o São Paulo é o responsável por este resgate da competição.

“Lembro que o próprio Telê tinha um pouco de preconceito com a competição até pelas histórias dos jogos fora do Brasil de confusão. Ele sempre prezou pelo futebol limpo. Tanto é que o primeiro jogo fomos com uma equipe reserva e perdemos por 3 a 0 para o Criciúma. Após o jogo, o Telê conversou com a diretoria, que pediu para ele começar a escalar os titulares porque o São Paulo queria uma conquista internacional”, relembra.

Bonequini no São Paulo em 1992

Após a estreia com Criciúma, o São Paulo na primeira fase iria enfrentar dois times bolivianos fora da casa: São José e Bolivar. “Me lembro muito bem destas partidas. Iríamos enfrentar a altitude e o São Paulo com sua estrutura com profissionais como o Moracy Santana, Turíbio e Altair Ramos fez uma grande preparação para não sentirmos os efeitos. Lembro que levaram tubos de oxigênio para os atletas nos jogos e tomamos suplementos”, afirma ele, que relembra a participação de Macedo na partida contra o São Jose. “Ele entrou no intervalo e ficamos falando para ele da altitude no intervalo. No segundo tempo, ele deu dois piques, fizemos dois gols com passe dele, mas ele caiu no gramado e teve que ser substituído por causa da altitude. Entrou, jogou 15 minutos e teve que sair. Vencemos por 3 a 0”, disse.

Zetti e Bonequini: os especialistas

Contra o Bolivar, Bonequini fala da aventura para chegar ao estádio. “Pegamos um avião fretado, bem simples e quando passamos pela geleira dos Andes, o avião tremia muito. Conseguimos descer no aeroporto e umas jardineiras nos esperavam para levar até o estádio. Pegamos um trânsito e o jogo até começou atrasado por nossa causa. Tivemos que aquecer dentro de campo”, afirma ele.

Após a primeira fase, o São Paulo classificou em segundo do grupo e nas oitavas eliminou Nacional (URU) e pegou o Criciúma novamente nas quartas. “Quando enfrentamos o Criciúma, começamos a vislumbrar possibilidade real de ganhar o título. A equipe foi entrosando, pegando confiança e fomos acreditando.”

Final

Na semifinal, o São Pailo eliminou o Barcelona (EQU) e pegou o Newell’s Old Boys na final. Perdeu o primeiro jogo por 1 a 0.

“Jogamos no estádio do Rosário Central e até por isso não pegamos um clima tão hostil. Lembro que o Macedo ficava o banco narrando o jogo e falando o que ia fazer quando fosse entrar. Ele entrou no segundo tempo e deu um drible no Gamboa, que era da seleção, conforme ele tinha falado que ia fazer para gente no banco. Depois do jogo, ele falou que tinha driblado o Ramboa. Macedo era uma figura e sempre arrancava risos nosso, mas era muito inteligente para jogar.”

Telê Santana: grande referência para Bonequini

Na final do Morumbi, foi em Macedo o pênalti sofrido e convertido por Rai que levou a decisão para os pênaltis. “A gente era um bando de meninos, mas sabíamos a importância daquele título. Um grupo como aquele será muito difícil reunir novamente na história do São Paulo, talvez só daqui 100 anos. Tínhamos liderança, uma amizade e todos remavam pelo mesmo objetivo”, recorda.

Sobre Telê, Bonequini afirma que ele provou sua competência ao mundo do futebol. “Todo mundo falava que ele era pé frio. Mas com aquele time, ele provou que é possível ser campeão jogando bonito e praticando o futebol limpo. Fizemos história.”

Bonequini ainda foi campeão do mundo naquele ano pelo São Paulo. No bi da Libertadores em 1993, estava emprestado para o Novorizontino.

Campanha do título:

Primeira Fase
Grupo 2
6/3/1992: Criciúma 3×0 São Paulo
17/3/1992: San José (BOL) 0x3 São Paulo
20/3/1992: Bolívar (BOL) 1×1 São Paulo
1/4/1992: São Paulo 4×0 Criciúma
7/4/1992: São Paulo 1×1 San José
14/4/1992: São Paulo 2×0 Bolívar

Oitavas-de-final:
28/04/1992: Nacional(URU) 0X1 São Paulo
06/05/1992: São Paulo 2×0 Nacional

Quartas-de-final:
13/05/1992:São Paulo 1×0 Criciúma
20/05/1992:Criciúma 1×1 São Paulo

Semifinais:
27/05/1992: São Paulo 3×0 Barcelona (EQU)
03/06/1992:Barcelona 2×0 São Paulo

Final:
10/06/1992: Newell’s Old Boys (ARG) 1×0 São Paulo
17/06/1992: São Paulo 1×0 Newell’s Old Boys

Ficha técnica da final:
São Paulo 1×0 Newell’s Old Boys (nos pênaltis: São Paulo 3×2 Newell’s Old Boys)

SÃO PAULO: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado, Raí e Palhinha; Müller (Macedo) e Elivélton. Técnico: Telê Santana.

NEWELL’S OLD BOYS: Scoponi, Llop, Gamboa, Pochettinno e Saldaña; Berti, Berizzo, Martino (Domizzi) e Zamora; Lunari e Mendoza. Técnico: Marcelo Bielsa.

Árbitro: José Joaquín Torres (COL);
Local: Morumbi;
Público: 105.185