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Jundiaí, BR
23/07/2017 - 05:57

Durante mais de 40 anos a casa do Paulista foi na Avenida Luiz Rosa, no centro da cidade, ali onde fica o velório municipal Adamastor Fernandes.

O estádio da Vila Leme foi palco das grandes conquistas da fase do amadorismo, onde o tricolor se tornou o maior clube da cidade e um dos mais tradicionais do interior, chegando a disputar entre 1926 e 1929 o Campeonato Paulista da LAF (Liga dos Amadores de Futebol), batendo de frente contra os principais times paulistanos da época.

No fim da década de 1940, com a profissionalização do futebol no interior do estado, porém, o acanhado estádio foi tornando-se obsoleto devido ao próprio crescimento do clube que aos poucos foi subindo degraus e melhorando suas participações nos campeonatos de acesso.

O antigo estádio do Paulista, no Centro da cidade. Acervo Professor Maurício Ferreira/Sebo Jundiaí
O acanhado estádio recebia ótimos públicos para os jogos do Paulista F.C. Foto: Acervo Professor Maurício Ferreira/Sebo Jundiaí
As ingrimes arquibancadas do estádio da Vila Leme. Reprodução/A Gazeta Esportiva Ilustrada

A primeira grande movimentação para aquisição de um terreno para construir um novo e maior estádio foi no ano de 1952, justamente no ano em que o Paulista fazia sua melhor campanha após ingressar no profissionalismo.

A boa campanha despertou nos dirigentes tricolores a vontade de contar com uma casa maior, já que outros clubes do interior também se movimentavam neste sentido e iam inaugurando novas e modernas – para os padrões da época, é claro – praças esportivas.

Outro fato que acelerou esse processo foi uma disputa com antigos donos do terreno onde se localizava o estádio da Vila Leme, que queriam reaver a posse da área. A disputa também envolveu a Prefeitura Municipal já que vizinhos da região queriam a abertura de ruas no local. No final do ano, porém, os antigos donos desistiram da ação contra o Paulista, mas com o frequente crescimento da cidade era questão de tempo o time precisar de uma nova casa.

Ilustração de Cláudio Lucato, publicada no livro “Jundiahy Foot Ball Club Ou Paulista F. C.” apresentando a planta do Jardim Pacaembu com a localização do terreno destinado ao estádio do Paulista.

Três propostas de terreno foram apresentadas ao Paulista e em agosto de 1953, o conselho deliberativo do clube aceitou as condições de uma oferta que foi apresentada por proprietários de terras no Jardim Pacaembu.

Em novembro do mesmo ano foi assinada a escritura de posse do terreno para o novo campo do Paulista. No ato compareceram diretoria, associados e torcedores do tricolor, bem como os representantes da Companhia de Terraplanagem Cabuçú, antiga dona do terreno.

De imediato foram iniciados os estudos de levantamento topográfico do terreno e o prazo inicial de conclusão das obras seria de dois anos.

A falta de recursos financeiros, porém, fizeram com que as obras durassem quase quatro anos.

Um dos grandes nomes da história do Paulista, Martinelli chegou a trabalhar nas bilheterias dos jogos disputados na Vila Leme para ajudar o time na arrecadação de dinheiro para as obras do novo estádio.

Durante esse período de construção do estádio, os próprios jogadores do Paulista criaram uma cooperativa para buscar recursos que pagassem os seus salários e ajudassem a diretoria na construção do estádio.

A cooperativa ficou encarregada de procurar e agendar jogos amistosos que trouxessem algum tipo de renda para o clube. Um exemplo disso, foi quando o técnico Arthurzinho Zomignani, sendo amigo do técnico Osvaldo Brandão, trouxe o Corinthians para jogar na Vila Leme.

Outro nome que encabeçou a cooperativa foi o zagueiro Martinelli, que nos jogos em Jundiaí trabalhava também nas bilheterias do estádio recolhendo o dinheiro dos torcedores que chegavam para acompanhar as partidas.

Presidente da Companhia Paulista de Estradas de Ferro à época da construção, o Dr. Jayme Pinheiro de Ulhoa Cintra deslocou pelo menos 20 funcionários da empresa, que trabalharam nas obras de forma voluntária.

Página da revista A Gazeta Esportiva Ilustrada destacando o início das obras de construção do estádio Jayme Cintra.
Diretores do Paulista e autoridades da cidade, presentes ao início das obras de construção do estádio. Reprodução/A Gazeta Esportiva Ilustrada
Os primeiros degraus da arquibancada do novo estádio. Reprodução/A Gazeta Esportiva Ilustrada

A comissão de construção que fora criada pela diretoria do clube e era presidida pelo Sr. Flávio D’Angieri, entregou o estádio com as obras ainda em andamento para a realização do primeiro jogo.

Na verdade, o projeto inicial previa uma capacidade total do estádio em torno de 45 mil pessoas, mas, como se sabe, este projeto nunca foi concluído.

O projeto original de construção Jayme Cintra previa que, quando concluídas as obras, a capacidade do estádio seria de 40 mil pessoas. Além do campo de futebol, o estádio contaria com campo para bocha e malha. No espaço atrás dos gols, estava prevista a construção de quadras de vôlei e basquete.

No dia 30 de maio de 1957, chegava então a data da inauguração do novo campo do Paulista, em um amistoso contra o Palmeiras. O Galo saiu vencedor, com placar de 3 a 1. Coube a Belmiro, atacante tricolor, a honra de marcar o primeiro gol no estádio.

PAULISTA 3: Sérgio; Alcides e Martinelli; Alvair, Negro e Paulinho; Moacir, Belmiro, Paulo, Chiquinho e Alceu. Técnico: Arthur Zomignani.
PALMEIRAS 1: Victor; Ismael e Martim; Waldemar Fiúme, Joel e Mexicano; Renatinho, Camacho, Fernando, Ney e Tatti.

Árbitro: Valter Galera
Renda: Cr$ 98.790,00
Gols: Belmiro (4’/1º), Alceu (18’/1º), Chiquinho (36’/1º) e Ney (44’/1º)

A inauguração aconteceu com o estádio ainda inacabado. Foto: Acervo Professor Maurício Ferreira/Sebo Jundiaí
O primeiro time do Paulista a jogar no Jayme Cintra. Foto: Acervo Professor Maurício Ferreira/Sebo Jundiaí

O nome do estádio, Dr. Jayme Cintra, foi escolhido ainda da década de 1940, quando o Paulista pretendia reformar e aumentar o estádio na Vila Leme, para homenagear um dos maiores entusiastas do Paulista e que, graças à sua alta posição dentro da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, sempre ajudou o clube em momentos de necessidade.

Três dias depois, o Paulista realizava um amistoso interestadual e recebia em sua nova casa a equipe do Olaria da cidade do Rio de Janeiro. Na segunda partida, o Galo também saiu vencedor desta vez por 4 a 2 frente os cariocas.

Após a inauguração, as obras continuaram e somente no ano seguinte é que o Paulista mudaria de vez para o novo estádio.

Na continuação do campeonato da segunda divisão, o estádio da Vila Leme seguiu sendo usado para os jogos oficiais, até o dia 28 de dezembro, quando o Galo se despediu da sua velha casa num jogo contra o São Bento de Sorocaba.

PAULISTA 4: Sérgio (Sidnei); Alcides e Martinelli; Alvair, Negro e Paulinho (Raul); Paulo, Juarez, Belmiro, Lero e Dirceu (Alceu). Técnico: Arthur Zomignani.
OLARIA 2: Walter; Joel e Renato; Rico, Barbosa e Duarte (Dodô); Cesar, Almir, Elias, Silvio e Mario.

Árbitro: Aristocilio Rocha
Renda: Cr$ 15.900,00
Gols: Almir (8’/1º), Silvio (12’/1º), Martinelli (faltas, 35’ e 45’/1º), Juarez (21’/2º) e Negro (35’/2º)

No ano de 1958 é que o clube começou efetivamente a mandar os seus jogos no estádio Dr. Jayme Cintra e, antes dos jogos oficiais, recebeu ainda amistosamente outras grandes equipes do estado: novamente o Palmeiras, Guarani e Corinthians.

O primeiro jogo de um campeonato oficial ocorreu mais de um ano após a inauguração do estádio. No dia 22 de junho de 1958 o Paulista recebeu o Avenida, da cidade de Salto, e venceu por 2 a 0 pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão.

Mesmo com o Paulista já oficialmente transferido para o Jayme Cintra, as obras continuaram.

A torcida teve papel fundamental no processo, participando através de campanhas de arrecadação de cimento e tijolos, como a promovida pela extinta rádio Santos Dumont.

O setor de cadeiras somente foi inaugurado em 1969, ainda sem a cobertura, que ficou pronta apenas quase 15 anos depois.

Os 10 maiores públicos

Paulista 2 x 0 EC São Bernardo – 18.235 pessoas

09 de outubro de 1983
Campeonato Paulista da Segunda Divisão – Fase Semifinal, 6ª rodada

No início da década de 80, o Esporte Clube São Bernardo (não confundir com o São Benardo Futebol Clube) foi um dos principais rivais do Paulista na luta pelo acesso à elite do futebol estadual.

Para se ter uma ideia entre 1982 e 1984 os dois clubes se enfrentaram 14 vezes pela divisão de acesso.

As duas equipes, que podem voltar a se enfrentar no ano que vem na quarta divisão estadual protagonizaram jogos épicos na parte de cima da tabela e por isso atraíam grande público para os seus jogos.

Neste jogo, em 1983, 16.617 pessoas pagaram ingresso para assistir a partida, que ainda teve a presença de 1.618 menores, totalizando 18.235 pessoas que viram o Paulista vencer com dois gols de Ricardo, assegurando a vaga do Paulista para a fase final do segundo turno da Segunda Divisão.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Sérgio; Uchôa, Marco, Zé Mauro e Dirceu; Machado, Henrique (Célio) e Assis Paraíba; Cremilson (Adílton), Ricardo e Zé Roberto. Técnico: Mário Juliato.
EC SÃO BERNARDO: Vandeir; Pereira, Zecão, Sílvio e Vicente; Tadeu, Everaldo e Baitaca; Robertinho (Marcelo), Tião Marino (Luiz Carlos) e Silvano.

Árbitro: Antonio Carlos Saraiva
Público: 16.617 pagantes e 1.618 menores (18.235 pessoas)
Renda: Cr$ 11.428.300,00
Gols: Ricardo (15’ e 40’/2º)
Cartão amarelo: Zecão (EC São Bernardo)
Cartão vermelho: Zecão (EC São Bernardo)

Paulista 3 x 1 Palmeiras – 18.551 pessoas

30 de março de 1986
Campeonato Paulista da Primeira Divisão – Primeira Fase, 9ª rodada

O time de 1986. Em pé: Zé Carlos, Joãozinho, Sergião, Alexandre, Edu e Airton; agachados: Gil, Zezé Gomes, André, Humberto e Rinaldo.

Em 1986, o Paulista disputava pelo segundo ano consecutivo o Paulistão e as contratações de grandes nomes para a formação do time criaram a expectativa de que o Galo fosse fazer uma boa campanha.

Não foi o que aconteceu; o time não encaixou e acabou rebaixado. Mesmo assim, a torcida jundiaiense, sempre apaixonada, empurrou o time em jogos decisivos e contra os times grandes.

No dia 30 de março, pela nona rodada, o Paulista recebia o até então invicto Palmeiras, que sucumbiu à força do Galo em seu alçapão.

O Paulista venceu com dois gols de André e outro de Zezé Gomes para um público pagante de 18.551 pessoas.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Sérgio (Luiz Fernando); Zé Carlos, Joãozinho (Mário), Alexandre e Airton; Edu, Gil e Humberto; Zezé Gomes, André e Rinaldo. Técnico: Tata.
PALMEIRAS: Ivan; Diogo, Vágner, Amarildo e Denys; Lino, Gérson Caçapa e Jorginho; Barbosa (Mendonça), Mirandinha e Edu (Edmar). Técnico: Carlos Castilho.

Árbitro: Romualdo Arppi Filho
Público: 18.551 pagantes
Renda: Cz$ 394.720,00
Gols: André (17’/1º e 19’/2º), Zezé Gomes (37’/1º) e Mendonça (35’/2º)
Cartões amarelos: André (Paulista) e Ivan (Palmeiras)

Paulista 0 x 1 Palmeiras – 18.650 pessoas

29 de maio de 1977
Campeonato Paulista da Divisão Especial – Primeira Fase, 2ª rodada, 2º Turno

Em 1977, o Paulista fez uma campanha apenas razoável no estadual, terminando na 15ª posição entre 19 participantes.

Mesmo assim, o Galo vendeu caro a derrota para o Palmeiras que registrou um grande público entrando nesta lista dos 10 maiores públicos do Jayme Cintra.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Édson Mug; Cícero, Marco, Domingos e Lázaro; Fernandinho e Bosco; Brinda (Lula), Mosca, Souza (David) e Daércio. Técnico: Roberto Belangero.
PALMEIRAS: Leão; Valdir, Beto Fuscão, Mario Soto e Ricardo; Ivo (Jorge Mendonça) e Ademir da Guia; Vasconcelos (Pires), Rosemiro, Picolé e Nei. Técnico: Dudu.

Árbitro: José de Assis Aragão
Público: 18.650 pagantes
Renda: Cz$ 391.600,00
Gol: Picolé (22’/2º)
Cartões amarelos: Lázaro e Daércio (Paulista); Mario Soto (Palmeiras)

Paulista 1 x 0 EC São Bernardo – 18.710 pessoas

11 de novembro de 1984
Campeonato Paulista da Divisão Intermediária – Fase Semifinal, Jogo de Volta

O São Bernardo de novo na vida do Paulista. Este foi o jogo que garantiu a classificação do Galo para o quadrangular final da Divisão Intermediária de 1984.

Uma semana antes no jogo de ida, no Baetão, o Paulista já havia vencido por 1 a 0, aumentando ainda mais a expectativa da torcida jundiaiense na briga pelo acesso.

Antes de se despedir de Jundiaí para jogar a fase final no Parque Antarctica, os jundiaienses provaram mais uma vez seu amor pelo Galo lotando o estádio Dr. Jayme Cintra e fazendo uma grande festa que teve o seu ponto alto no gol de Nei, que marcou de cabeça logo aos oito minutos de jogo.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Luiz Fernando; Benazzi, Mário, Alexandre e Caíca; Gérson Andreotti, Carlos (Celso Sá) e Célio; Tata (Zé Roberto), Ricardo e Nei. Técnico: Nicanor de Carvalho.
SÃO BERNARDO: Vandeir; Pereira, Zecão, Sérgio e Luís Henrique; Celso Freitas (Zé Roberto), Luís Carlos Gaúcho e Vicente Cruz; Robertinho (Joãozinho), Dóia e Silvano. Técnico: Eugênio Bérgamo.

Árbitro: Márcio Campos Salles
Público: 17.010 pagantes e 1.700 menores (18.710 pessoas)
Renda: Cr$ 69.126.000,00
Gols: Nei (8’/1º)
Cartão amarelo: Zecão (São Bernardo)

Paulista 0 x 2 São Paulo – 18.899 pessoas

01 de maio de 1986
Campeonato Paulista da Primeira Divisão – Primeira Fase, 16ª rodada

Mais um jogo em que o Paulista vendeu caro a derrota para um grande, desta vez para o São Paulo que só conseguiu os seus gols no final da partida.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Sérgio; Zé Carlos, Mário, Alexandre e Airton; Vizolli, Gil e Humberto; Ayala, Zezé Gomes (André) e Tuíco (Tata). Técnico: Vail Mota.
SÃO PAULO: Oliveira; Zé Teodoro, Vágner, Ronaldo e Nelsinho; Márcio Araújo, Bernardo e Pita; Manu, Marcelo (Capone) e Pianelli. Técnico: Cilinho.

Árbitro: Ulisses Tavares da Silva Filho
Público: 12.533 pagantes, 3.732 menores e 2.634 mulheres (18.899 pessoas)
Renda: Cz$ 262.120,00
Gols: Pita (40’/2º) e Manu (47’/2º)

Paulista 0 x 0 Corinthians – 18.942 pessoas

16 de março de 1975
Campeonato Paulista da Divisão Especial – Primeira Fase, 3ª rodada

O Paulista voltava a disputar um Paulistão completo após três anos – entre 1972 e 1974 não se classificou no Torneio Seletivo, conhecido também como “Paulistinha”. O Corinthians enfrentava um jejum de títulos e já não contava com Rivelino.

Um jogo sem gols, graças a grande atuação do goleiro tricolor Vaninho, que saiu como herói da partida.

Apesar disso, o Paulista teve chances de vencer o jogo e foi melhor em alguns momentos.

Os dois ataques não conseguiram superar as defesas e o placar não foi movimentado.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Vaninho; Serginho, Klein, Marco e Ferreira; Bosco, Adilson e Basílio; Brasinha, Djalma (Gelson) e Waldomiro. Técnico: Adésio de Almeida.
CORINTHIANS: Sérgio; Zé Maria, Baldocchi, Ademir e Vladimir; Tião e Basílio; Vaguinho, César (Luis Antonio), Arlindo e Pita. Técnico: Sílvio Pirilo.

Árbitro: Romulado Arppi Filho
Público: 18.942 pagantes
Renda: Cr$ 236.036,00
Cartões amarelos: Tião e César (Corinthians)

Paulista 0 x 3 Palmeiras – 19.608 pessoas

30 de março de 1975
Campeonato Paulista da Divisão Especial – Primeira Fase, 5ª rodada

Apenas 14 dias depois do jogo contra o Corinthians, outro enorme público era registrado nas catracas do estádio Jayme Cintra. O adversário desta vez era mais categorizado, simplesmente a academia palmeirense comandada por Osvaldo Brandão e que tinha jogadores do quilate de Leão, Luís Pereira, Leivinha, Ademir da Guia, entre outros nomes de projeção mundial.

Diante de um grande adversário, o Paulista saiu vencido por 3 a 0.

Veja no vídeo abaixo os gols do jogo e repare nas arquibancadas do Jayme Cintra lotado pela torcida do Paulista. É só ver que não há grandes reações no momento dos gols.

O jundiaiense apoiava o Paulista, independente de quem fosse o adversário. Uma situação muito diferente dos dias atuais em jogos contra os grandes clubes.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Vaninho; Serginho, Marco, Klein e Ferreira; Bosco e Adilson (Gilberto); Brasinha, Djalma, Waldomiro e Adilson (Gelson). Técnico: Adésio de Almeida.
PALMEIRAS: Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Edson e Ademir da Guia; Edu, Ronaldo, Leivinha e Nei. Técnico: Osvaldo Brandão.

Árbitro: Armando Marques
Público: 19.608 pagantes
Renda: Cr$ 224.349,00
Gols: Nei (43’/1º), Edson (falta, 7’/2º) e Leivinha (23’/2º)
Cartões vermelhos: Djalma (Paulista); Edson (Palmeiras)

Paulista 1 x 2 Santos – 22.540 pessoas

02 de março de 1969
Campeonato Paulista da Divisão Especial – Primeira Fase, 6ª rodada

A primeira vez do maior jogador de todos em tempos em Jundiaí não poderia estar de fora desta lista.

Pelé sobe, Jurandir observa: zagueiro do Galo teve trabalho.

O Paulista recém-promovido à elite do estadual, primeiro jogo do campeonato contra um time grande e, é claro, a presença de Pelé não poderiam dar em outra coisa: sucesso total e um jogo que ficou para a história.

E foi por pouco que o Paulista não saiu com a vitória. Apesar da presença do rei do futebol, o melhor jogador em campo foi o zagueiro tricolor Valdir que formava a inesquecível dupla de zaga com Jurandir. Juntos, tiveram a missão de segurar o poderoso ataque do Peixe.

Nilo havia aberto o placar para o Galo no primeiro tempo, mas no final do segundo tempo, Toninho e Edu marcaram e garantiram uma vitória que, por muitos foi considerada injusta, como mostram as manchetes de jornais que cobriram a partida.

O Diário da Noite destacou a atuação do zagueiro tricolor Valdir.

Matéria sobre o jogo na Folha de S. Paulo


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Zuza; Luisinho, Jurandir, Valdir e Nonô (Baitu); Foguinho e Ulisses; Mazzola (Tota), Raimundinho, Nilo e Zé Luiz. Técnico: Alfredo Sampaio.
SANTOS: Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo e Lima (Negreiros); Manoel Maria, Toninho, Pelé e Edu. Técnico: Antoninho.

Árbitro: Alcir Rodrigues Sanches
Público: 18.365 pagantes e 4.175 menores (22.540 pessoas)
Renda: NCr$ 61.952,00
Gols: Nilo (28’/1º), Toninho (34’/2º) e Edu (37’/2º)

Paulista 0 x 2 Corinthians – 24.208 pessoas

04 de fevereiro de 1979
Campeonato Paulista da Divisão Especial – Primeira Fase, 9ª rodada, 2º Turno

Mais um jogo em um campeonato em que o Paulista foi rebaixado.

Apesar de ter ocorrido em 1979, o jogo ainda valia pelo campeonato do ano anterior.

Desta vez, o Galo não conseguiu se impor, perdendo com dois gols ainda no primeiro tempo.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Wilson Quiqueto; Nenê (Cícero), Marco, Domingos e Santos; Lazinho, Bosco e Gil; Silva, Cuca e Wagner (Dimas). Técnico: Pepe.
CORINTHIANS: Jairo; Zé Maria, Amaral, Zé Eduardo e Vladimir; Basílio (Djalma), Biro-Biro e Palhinha (Rui Rei); Vaguinho, Sócrates e Romeu. Técnico: José Teixeira.

Árbitro: Oscar Scolfaro
Público: 21.558 pessoas com 2.650 menores (24.208 pessoas)
Renda: Cr$ 685.280,00
Gols: Palhinha (21’/1º) e Marco (contra, 35’/1º)

Paulista 1 x 1 Corinthians – 24.552 pessoas

01 de junho de 1985
Campeonato Paulista da Divisão Especial – Primeira Fase, 6ª rodada, 1º Turno

Voltando à elite, o Paulista já havia vencido o São Paulo na segunda rodada da competição e encarava o Corinthians, em Jundiaí, pela sexta rodada.

Num jogo bastante equilibrado, o placar não poderia ser outro, empate de 1 a 1, com Ricardo marcando de cabeça para o Paulista.

Boa parte do jogo está disponível no YouTube e pode ser conferido abaixo, onde se vê o estádio completamente lotado.

No relato da partida ainda há a informação de que muita gente não conseguiu entrar devido à superlotação.

A renda recorde pode ser conferida no início do segundo vídeo, quando é anunciada pelo narrador Luiz Noriega.


A FICHA DO JOGO

PAULISTA: Luiz Fernando; Luisinho (Mário), Joãozinho, Alexandre e Lula (Wescley); Gérson Andreotti, Lima e Renato; Edson, Ricardo e Tuíco. Técnico: Nicanor de Carvalho.
CORINTHIANS: Solito; César, Juninho, Vágner e Vladimir; Paulo, Adilson e Biro-Biro; Paulo César, Dicão e João Paulo. Técnico: Carlos Alberto Torres.

Árbitro: Márcio Campos Salles
Público: 22.804 pagantes e 1.748 menores (24.552 pessoas)
Renda: Cr$ 117.848,00
Gols: Adilson (18’/2º) e Ricardo (27’/2º)
Cartões amarelos: Mário (Paulista); Paulo (Corinthians)

Após mais de 30 anos dedicados ao Paulista, Domingos Casagrande mostra-se cansado. Foto: Gustavo Amorim

Desanimado, funcionário mais antigo quer ir embora

Domingos Casagrande dedicou 31 de seus 86 anos ao Paulista. É o funcionário mais antigo, o responsável por cuidar do gramado, além de auxiliar em outros serviços de manutenção.

Vivendo o dia a dia do clube há três décadas, acompanhou a ascensão e a queda do time.

A crise vivida pelo clube o atingiu em cheio. Casagrande se esquiva das perguntas, não quer conversa. Está claramente magoado e quer se ver longe do Jayme Cintra o quanto antes.

“Sou torcedor do Paulista, mas e daí? Agora não tem mais jeito”, lamenta, sem dar chance de prolongar a entrevista.

Otimista, Bill Clinton aposta que Paulista voltará a viver dias de glórias. Foto: Gustavo Amorim

Trabalhando ao lado de Casagrande está Wilson Pedro Maceu. Pelo nome, ninguém conhece, mas é só dizer o apelido, Bill Clinton, para que todo mundo que frequenta o Jayme Cintra o reconheça. A alcunha, dada a semelhança com o ex-presidente norte-americano, foi dada pelo preparador físico Fernando Moreno, em 1998, e pegou.

Ao contrário do colega, Bill esbanja otimismo. “O futebol é feito de altos e baixos e tenho esperança de que as coisas vão melhorar”, afirma.

Bill Clinton tem 65 anos e há 20 trabalha no Paulista. Faz de tudo: manutenção elétrica, hidráulica, pintura, cuida do gramado. “Só não jogo futebol”, brinca.

Nascido em Brotas, Bill veio ainda criança para Jundiaí. Trabalhou como técnico de caldeira na Duratex, antes de ingressar no Paulista. “Tenho orgulho de trabalhar aqui”, resume ele, sempre sorridente. “O Paulista faz tanto parte da minha vida, que meu casamento aconteceu no dia 17 de maio (mesma data de aniversário do clube)”.

O mais importante dos 1.852 gols

Nesses 60 anos jogando no Jayme Cintra, o Paulista já marcou 1.852 gols. O mais importante deles, saiu no dia 15 de junho de 2005.

O Paulista vencia o Fluminense por 1 a 0, no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil, quando, aos 38 minutos do segundo tempo, Fábio Vidal puxou o contra-ataque pela esquerda e, da intermediária, atravessou a bola para Léo. O atacante dominou, invadiu a área e, na saída de Kleber, tocou de pé direito.

Com o zero a zero no jogo de volta, disputado no estádio São Januário, no Rio de Janeiro, o gol de Léo entrou para a história, ficou eternizado. Foi o gol do título mais importante da história do Paulista.

Em 2015, Léo reviveu os detalhes do gol para o documentário “2005: como o Paulista conquistou o Brasil”, produzido pela TVE Jundiaí.

Um estádio na marca do pênalti

Devido ao acúmulo de dívidas trabalhistas, o estádio Jayme Cintra foi penhorado e levado a leilão no dia 28 de maio, por determinação do juiz da 3ª Vara Trabalhista de Jundiaí, Jorge Luiz Souto Maior. O que provocou a decisão foram 19 processos em fase de execução, quando já existe a condenação mas o devedor não cumpre a decisão judicial. Ao todo, a dívida com essas 19 ações gira em torno de R$ 1,4 milhão.

Embora a área tenha sido avaliada em R$ 35 milhões, o lance inicial foi determinado em 50% desse valor, cerca de R$ 17,5 milhões. Apesar de muitos rumores nos bastidores, não apareceu nenhum interessado em arrematar o estádio.

O que pode ter afastado eventuais compradores foi o fato de o estádio ter sido inserido no Inventário de Proteção ao Patrimônio Artístico e Cultural (IPPAC). Embora não impeça a realização do leilão, a medida protege o estádio de uma eventual demolição.

Sem que tenha havido um comprador no leilão, o caso retornou para o juiz Jorge Luiz Souto Maior. Cabe a ele determinar se o estádio irá novamente a leilão.

As advogadas que representam o Paulista trabalham para evitar que isso aconteça. “Foi negado o primeiro recurso que tentamos para impedir o leilão. Estamos esperando a marcação de uma nova data, porém não podemos dizer quando será, pois não temos como prever ações judiciais. O que estamos fazendo é continuando os trabalhos para tentar novamente impedir sua realização”, afirma a advogada Lívia Spiandorelo.

Segundo a juíza Anna Cláudia Torres Viana, do Fórum Trabalhista de Campinas, a dívida parece administrável. “Existem alguns caminhos que podem ser tomados. O leilão é uma opção radical, para quando não haja mais alternativa”, disse.

“O Paulista tem intenção de pagar os credores, mas sem encerrar as atividades esportivas”, disse Lívia, à época. Para isso há também uma manobra para jogar esse processo para a 2º Vara do Trabalho, onde há recursos financeiros do Paulista que estão bloqueados.

Curiosidades

Ao longo desses 60 anos, o Paulista jogou 1.171 vezes no estádio Jayme Cintra. E os números provam que, dentro de casa, é duro bater o Galo. O time tricolor venceu 591 partidas, empatou 332 e perdeu outras 248.

Nesses 1.171 jogos, o Paulista marcou 1.852 gols e sofreu 1.117, tendo um saldo positivo de 735 gols.

Um dos heróis do acesso de 1984, o centroavante Ricardo Narsevicius, o “Diabo Loiro”, é o maior artilheiro da história do Jayme Cintra, com 42 gols marcados. Jean Carlos, com 38, Gérson e Martinelli, 27 cada, e Izaías, 23, completam o Top 5.

O jogador do Paulista que mais atuou no Jayme Cintra foi o zagueiro Marco, que defendeu o Galo entre 1973 e 1984. Foram 142 partidas disputadas.

O técnico com o maior número de jogos à frente do Paulista no Jayme Cintra é Vágner Mancini: 79.

Dulcídio Wanderley Boschilia apitou 21 jogos no estádio Jayme Cintra. Nenhum outro árbitro trabalhou tanto quanto ele na casa do Paulista.

Em 1975, as comemorações pelo aniversário de Jundiaí incluíram a realização do “Torneio da Uva”, um quadrangular amistoso que reuniu, além do Paulista, Corinthians, Flamengo e Grêmio. No dia 11 de dezembro, Corinthians e Paulista ficaram no 0 a 0 e o Galo venceu por 5 a 4 nos pênaltis, enquanto o Flamengo fez 2 a 1 sobre o Grêmio. No dia 13, o Corinthians venceu o Grêmio por 2 a 0 e ficou com o terceiro lugar. O Paulista empatou sem gols novamente, dessa vez com o Flamengo, mas foi derrotado nos pênaltis por 7 a 6

A Portuguesa Santista é o visitante mais frequente do estádio. Foram 40 jogos contra o Paulista disputados em Jundiaí, nos últimos 60 anos.

No dia 19 de agosto de 2007, Paulista e Ituano fizeram um jogo de 10 gols. O empate por 5 a 5, pela Copa FPF (atual Copa Paulista), registou o maior número de gols já anotados em um só jogo no Jayme Cintra.

A maior goleada imposta pelo Paulista nesses 60 anos jogando no Jayme Cintra foi o inesquecível 9 a 0 para cima do Paysandu, no dia 18 de novembro de 2006, pelo Campeonato Brasileiro da Série B.

Também inesquecível, mas por razão oposta, é a vexatória derrota por 6 a 0 para o EC São Bernardo, em jogo disputado no dia 17 de outubro de 1982, pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão (atual Série A2).

Além do Paulista, outros seis times usaram o Jayme Cintra com sua casa, ao menos por uma vez, ao longo dos 60 anos: Guarani, Juventus, Portuguesa, Taboão da Serra, São Vicente e, por mais estranho que pareça, Ponte Preta. A Macaca jogou em Jundiaí contra o Coritiba, pela Série B de 1995. O Coxa venceu o jogo por 2 a 1.

Além desses jogos, o Jayme Cintra também foi sede dos jogos válidos pelo rebolo entre Jabaquara e Rio Claro, que definia o rebaixamento da segunda para a terceira divisão estadual, em 1980. Após quatro jogos disputados, o Rio Claro se salvou.

Reportagem: 
Fabio Manzini
Felipe Torezim
Gustavo Amorim
Rafael Zochetti

Edição: 
Rafael Zochetti

Agradecimentos:
Claudio de Andrade
Ivan Gottardo
Maurício Ferreira/Sebo Jundiaí