Vinte e dois anos se passaram desde que o Paulista disputou a Série A3 pela última vez – veja como era o mundo àquela época. Foi em 1995, quando a Lousano, empresa de fios e cabos elétricos, assumiu o controle do clube, investiu pesado para trazer grandes jogadores e fez o time arrancar das últimas posições para o acesso.

O Galo não começou bem aquele campeonato. Nas sete primeiras rodadas, ainda sem o suporte da Lousano, o time conseguiu ganhar apenas dois jogos, empatou três e perdeu os outros dois. Com nove pontos em 21 disputados, a situação já incomodava. O técnico Paulo Mendes perdeu o emprego, Armando Bracali assumiu interinamente por dois jogos e Norberto Lopes chegou para comandar o time.

Matéria na Folha de S. Paulo do dia 11 de abril de 1995 sobre o início da parceria do Paulista com a Lousano.
Matéria na Folha de S. Paulo do dia 11 de abril de 1995 sobre o início da parceria do Paulista com a Lousano.

Com a assinatura do contrato de parceria com a Lousano, tudo mudou. A empresa investiu pesado e foi atrás de reforços para o time.

O goleiro Marcos Garça estava em litígio com o Mogi Mirim e foi procurado por Paschoal Grassioto, dono da Lousano, que ali já respondia também como presidente do “Lousano Paulista”.

“Quando recebi o convite, assustei um pouco”, admite o goleiro. “Eu nunca tinha disputado essa divisão e, quando olhei a tabela, a coisa estava muito ruim. Pensei em não ir”, conta.

Marcos Garça acabou convencido por outro jogador trazido pela Lousano, o meia-atacante Edu Lima.

A contratação de Edu foi impactante e, até hoje, impressiona. Afinal, ele acabara de terminar o Campeonato Brasileiro em terceiro lugar com o Guarani, de Amoroso e Luizão na dupla de ataque. “Disputar a Série A3 foi uma grande experiência na minha carreira, um desafio”, afirma Edu Lima.

Edu Lima era uma grande atração no time que disputou a Série A3. À direita dele está Pancho, saudoso diretor da Gamor. Foto: Acervo Pessoal
Edu Lima era uma grande atração no time que disputou a Série A3. À direita dele está Pancho, saudoso diretor da Gamor. Foto: Acervo Pessoal

Mesmo com jogadores desse quilate, Marcos Garça lembra que o objetivo não era subir para a Série A2. “Fomos conversar em São Paulo, eu, o Edu Lima, o Paschoal e o Eli (Eli Carlos, diretor de futebol). A ideia do Paschoal era não deixar o time cair, já que estava quase em último lugar, e no ano seguinte entrar com tudo, pra subir”, conta.

Mas o time ‘deu liga’, como se diz no mundo do futebol. E, para Marcos Garça, o técnico Norberto Lopes foi o grande responsável por isso. “Ele arrumou a casa e nós conseguimos dar uma boa arrancada. Ganhamos vários jogos e encostamos no bloco da frente”, diz.

É, mas essa arrancada levou um tempo para acontecer. Mesmo com Marcos Garça e Edu Lima no time, o Paulista seguiu patinando nas quatro rodadas seguintes, com empates com Fernandópolis (0 a 0) e Bandeirante (1 a 1) e derrotas para Mirassol (1 a 0) e União de Mogi (2 a 1).

A CAMPANHA

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Somente na 13ª rodada foi que o Galo ‘tirou a zica’. E foi daquele jeito que o torcedor já está acostumado: o Paulista vencia por 2 a 1, mas sofreu o empate aos 45 minutos do segundo tempo. O novo tropeço foi evitado pelo artilheiro Toni Baiano, que marcou o gol da vitória aos 47!

Revigorado, o Galo, enfim, embalou. Venceu, na sequência, o Corinthians de Presidente Prudente e o Marília. “Aí, veio a grande sacada da Lousano. Quando viram que dava pra brigar, dava pra subir, trouxeram o Toninho Cerezo”, lembra Marcos Garça.

Com um currículo pesadíssimo, com direito a títulos de Libertadores, Mundial de Clubes, Campeonato Italiano, Japonês, Paulista, Mineiro, Toninho Cerezo era um gênio da bola. Foi um dos protagonistas da brilhante seleção brasileira da Copa do Mundo de 1982 e, de repente, estava em Jundiaí desfilando em carro de bombeiros pelas ruas da cidade e vestindo a camisa tricolor.

Sua estreia foi em grande estilo. Quase 10 mil torcedores encheram o Jayme Cintra e viram Nido, Alex Oliveira, Edu Lima e Toni Baiano, duas vezes, marcarem na goleada por 5 a 0 para cima da Central Brasileira de Espírito Santo do Pinhal. De candidato ao rebaixamento, o Lousano Paulista passou a ser o time a ser batido.

Veio o duelo com o Noroeste, líder disparado. Apoiado por mais de 11 mil torcedores, o Galo não deu chances: Toni Baiano, Mauro e Alexandre, 3 a 0.

Àquela altura, o acesso não era mais um sonho e sim questão de tempo. E ele foi confirmado na penúltima rodada, com goleada por 5 a 0 sobre a Francana, em Franca. “Esse foi o jogo mais marcante”, diz Edu Lima “O engraçado é que, apesar da goleada, eu fui considerado o melhor em campo”, lembra Marcos Garça.

O vídeo abaixo mostra a trajetória na reta final do campeonato. Bom, também, para relembrar a narração de Hélio Luís.