Paulista completa 108 anos sem motivos para festejar

Foto: Reprodução/Facebook Paulista FC

Vivendo o pior momento de sua história, o Paulista completa nesta quarta-feira 108 anos sem ter nada a comemorar. Alijado de qualquer competição nacional desde 2009, o time este ano foi rebaixado à quarta divisão do Campeonato Paulista e chegou ao fundo do poço. Para piorar, a crise administrativa é das mais graves, com dívidas que provocaram até o leilão do estádio Dr. Jayme Cintra.

Situação inimaginável para um clube que iniciou os anos 2000 em franca ascensão, conquistou o Brasil e ousou se posicionar como a quinta força do Estado.

Fundado em 17 de maio de 1909 por funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, o Paulista sempre viveu períodos difíceis, de parcos recursos financeiros.

Campeão e acesso invicto em 1968.

Ainda assim, em 1968, conquistou pela primeira vez o acesso à elite do futebol estadual. O feito foi garantido em grande estilo, de forma invicta, coroado por uma vitória clássica por 3 a 0 sobre o Barretos. Foram 10 anos entre os principais times do Estado, até que veio a queda, em 1978.

Com goleada no último jogo, o Galo subiu em 1984.

Um novo acesso foi ganho em 1984, também de maneira inesquecível. Uma goleada por 7 a 1 para cima do Vocem, de Assis, fechou com chave de ouro aquela campanha. Dessa vez, foram apenas dois anos na Primeira Divisão até um novo rebaixamento.

Com a reorganização promovida pela Federação Paulista de Futebol, no início dos anos 1990, o Paulista foi parar na terceira divisão, que passou a ser denominada Série A3. Foram tempos difíceis, até que vieram as parcerias.

A primeira tentativa foi com a Magnata, que trouxe jogadores como o goleiro Marola e o volante Biro-Biro. Da conturbada passagem dos japoneses por Jundiaí, talvez a principal lembrança seja o amistoso com a Lazio, da Itália – empate por um gol, com Savóia marcando para o Galo.

Em seguida, chegou a Lousano. A gigante de fios e cabos elétricos não apenas patrocinou o time, mas firmou um inédito acordo de co-gestão no futebol brasileiro. Por ele, o time mudou de nome pela primeira vez, passando a ser conhecido como Lousano Paulista. O Galo ganhou reforços do quilate de Edu Lima e Toninho Cerezo e, sem grande dificuldade, subiu para a Série A2, em 1995.

A parceria perdeu fôlego devido à crise vivida pela empresa e foi rompida no final de 1997. O Paulista, contudo, mal teve tempo de reaprender a caminhar com as próprias pernas. Em maio de 1998, foi assinado o acordo com a multinacional Parmalat.

Com a Parmalat, vieram os títulos, como o do Brasileiro da Série C em 2001.

Com a nova troca de nome, dessa vez ainda mais radical, para Etti Jundiaí, veio o dinheiro – e, com ele, os títulos. Sempre com ótimos elencos, o Galo foi campeão da Copa Estado de São Paulo em 1999, Paulista da Série A2 e Brasileiro da Série C, em 2001.

Mais uma vez, os problemas enfrentados pela empresa parceira interromperam o projeto.

Por algum tempo, o Paulista sobreviveu com uma “mesada” deixada pela Parmalat, como compensação pela rescisão contratual. Com essa receita, o clube manteve-se em evidência, chegou ao vice-campeonato Estadual em 2004 e ao título mais importante de sua história, o da Copa do Brasil, no ano seguinte. Em 2006, disputou a Taça Libertadores da América e  ficou a um ponto do acesso à Série A do Brasileirão.

Em 2005, o maior feito da história: campeão da Copa do Brasil.

No início de 2007, o Paulista se viu abraçado à uma nova parceria. O denominado Campus Pelé era um projeto audacioso e foi apresentado com pompa e circunstância.

Mas não demorou para que o conto de fadas se transformasse em filme de terror.

No mesmo ano, mesmo com uma das folhas salariais mais altas do campeonato, o Paulista foi rebaixado da Série B para a C do Brasileiro. No ano seguinte, nova queda, dessa vez para a Série D. E em 2009, a eliminação na segunda fase tornou o Paulista um time fora de série.

Em 2010, o Campus Pelé ruiu. Além dos seguidos rebaixados, deixou ao Paulista uma enorme dívida, até hoje questionada na Justiça.

Sem dinheiro, o Galo passou a viver no sufoco, segurando o ar a cada Paulistão. Estar na Primeira Divisão do Estado era o que restava – e o que garantia alguma receita. Fora das disputas nacionais, a Copa Estado passou a ser a competição do segundo semestre e, mesmo com todas as dificuldades, foi de onde vieram as últimas conquistas, em 2010 e 2011.

Em 2014, o inevitável: com um desempenho pífio, veio a queda para a Série A2. Em 2015, para a Série A3. E em 2017, para a quarta divisão.

Neste aniversário de 108 anos, o Galo recebe os parabéns de forma tímida e deixa a festa, quem sabe, para o ano que vem.