Rudá alerta para risco de “geração perdida”

Um dos principais nomes do polo aquático brasileiro, Rudá Franco subiu o tom ao criticar o momento do esporte no país. Para ele, há um grande risco de uma geração ser “queimada” por conta de toda a desorganização.

Em entrevista à Gazeta Esportiva, o jogador formado na base do Clube Jundiaiense demonstrou grande preocupação, sobretudo pela crise enfrentada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que viu seu presidente, Coaracy Nunes, ser preso por envolvimento em um esquema de desvio de verbas do esporte.

Em março, a justiça suspendeu as eleições da CBDA e determinou que a Comissão Nacional dos Atletas seja composta por meio de voto direto dos próprios atletas. O entendimento do juiz Leonardo de Castro Gomes, da 17ª Vara Cível do Rio de Janeiro, foi que a Comissão de Atletas formada por indicados de Coaracy poderia ser uma manobra para conseguir votos na eleição.

Segundo Rudá, essa confusão fora das piscinas prejudica a preparação dos atletas.

“Temos um time que se classificou para o Mundial, mas a gente não sabe se realmente vai, se vai ter dinheiro para ir. Temos que esperar essa definição para sabermos como vai ser esse ciclo”, afirmou.

O trabalho da seleção brasileira também é colocado em xeque.  Este ano, por exemplo, a equipe ficou de fora de Liga Mundial.

“O auxiliar Ângelo Coelho assumiu (no lugar do croata Ratko Rudic, que deixou a seleção logo após a Olimpíada do Rio-2016), mas a gente não sabe se ele fica para o ciclo, então o polo aquático é uma grande incógnita hoje. Na verdade, não temos certeza nem de treinamentos. Ninguém recebeu planificação de treinos, que é importante porque é um time bem renovado”, desabafou o jogador.

Todo o investimento feito para a disputa da Rio-2016 foi perdido. “Foi sempre muito imediatista, sempre pensando no adulto. Na base temos poucos campeonatos”, disse.

Sem contar mais com os estrangeiros que ajudaram o Brasil a ficar com o oitavo lugar na Olimpíada – apenas o goleiro sérvio Slobodan Soro segue na equipe – , Rudá teme pelo futuro do esporte. “Vamos ver o que sobrou para conseguirmos levar para o Mundial e fazer um próximo ciclo. Acho que vai queimar uma geração, vai ter que levar a molecada. Depois, em 2024, aí tentar uma classificação para as Olimpíadas”.